Categoria: Poemas

Poemas e versos.

  • Lá Vem Ela

    Lá Vem Ela

    E lá vem ela. Estrondosa, furiosa, rasgando o céu impiedosa. Acovardando, por vezes, até mesmo o mais valente. Cuspindo, arrotando, urrando, avançando sem dar trégua, deixando destruições em pequenos e grandes rastros. Pela frente, não há obstáculos. Sejam vias congestionadas, campos verdes, florestas e até megalópoles. Nada pode pará-la. Nem mesmo o vento é capaz! Que toda vez se submete a ela, provando que é mais fácil se juntar quando não se pode vencer.

    E lá vem ela. Negra, grotesca, colossal, torrencial. Chutando casas, levantando telhados, derrubando árvores, vindo em enxurradas, varrendo tudo o que encontra pela frente. Quando ela se arma, parece que o resto do mundo inteiro para. Esperando, aguardando, ansiosamente, temerosamente, timidamente, pavorosamente, seu encontro inevitável. Fatídico! Seja em alto mar ou terra firme, sejam navios imensos ou montanhas milenares, não há ser vivo ou inanimado que não a respeite, que a tema.

    … e lá foi ela. Intocável, magnânima, grandiosa, seguida pela bonança. Deixando para trás ruas mais limpas, matas mais verdes, rios mais cheios e mares mais calmos. Devolvendo toda a água que fora tirada da superfície. Lavando o mundo e as nossas almas.

  • Certa vez alguém escreveu…

    Certa vez alguém escreveu…

    Juréia das lindas matas e cores,
    Dos lindos pássaros e cantos,
    Dos verdes morros protetores,
    Das brisas suaves de verão,
    Das águas limpas e claras,
    Das areias brancas e macias,
    Do celestial azul do céu,
    Do oceano em sua pureza,
    Dos carcarás e dos ares,
    Das tartarugas e dos mares,
    Das preguiças em embaúbas,
    Dos encontros e encantos,
    Do silêncio interior,
    Da paz da alegria,
    Da amizade nas palavras,
    Da plenitude da vida,
    Da imensidão no aconchego,
    Da harmonia complacente,
    Vivendo ternamente,
    Profunda e eterna,
    No coração de nossas almas.

     

    E. Straub
    (Seguindo a voz do coração…)

  • Minha Amada Boracéia

    Minha Amada Boracéia

    Oh! Minha amada e idolatrada Boracéia,
    Com teus morros soberbos,
    Teu céu azulado,
    Tuas areias pisadas,
    E tua água cristalina.

    Local propício à vida.
    Onde pássaros piam ao amanhecer,
    E urubus esvoaçam ao entardecer.
    Onde o Sol dá lugar à lua,
    Numa explosão cósmica e celestial,
    Com estrelas como seu pano de fundo. 

    Oh! Minha amada e idolatrada Boracéia,
    Com tuas ondas gorducheiras,
    Longas e cansativas.
    Onde pegar a onda certa,
    Significa bambear as pernas. 

    Nunca uma onda foi tão cordial e amorosa
    Para com os surfistas merrequeiros.
    É a onda da fraternidade!
    Onde surfistas de mãos dadas
    A surfam desde a última arrebentação,
    Até o mais longínquo dos guarda-sóis.
    Lá onde o Bezerra faz a curva.
    Formando uma corrente humana,
    A corrente dos desgarrados e desgraçados surfistas,
    Que pregueiam suas ondas com pranchas e mais pranchas. 

    Oh! Minha amada e idolatrada Boracéia,
    Que descanse em paz agora.
    E espere por mim,
    Com a chegada de uma nova frente fria,
    Quando não puder optar,
    Por nenhuma outra opção.